SELEÇÃO PETCOM

maio 23, 2017 in Eventos

O PETCOM (Programa de Educação Tutorial da Facom/UFBA) torna pública a abertura de processo seletivo destinado ao preenchimento de 3 vagas para voluntários. As inscrições deverão ser feitas entre os dias 22/05/2017 a 02/07/2017, exclusivamente pelo e-mail petfacomufba@gmail.com.
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Podem participar da seleção estudantes regularmente matriculados, de qualquer semestre, nos cursos de Comunicação com habilitação em Jornalismo  ou em Produção em Comunicação e Cultura da Faculdade de Comunicação da UFBA.
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Demais requisitos necessários para se candidatar e documentos necessários estão disponíveis em edital.
Os três voluntários selecionados iniciarão as atividades a partir do dia 15 de julho de 2017. Os selecionados serão incorporados ao programa como bolsistas, na medida em que forem surgindo vagas por conta do desligamento dos atuais bolsistas.
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TEXTO DO MÊS – MARÇO/17 [THE BEGINNING]

abril 3, 2017 in Eventos

ASSÉDIO SEXUAL NA REDE: UM PROBLEMA RECORRENTE PARA A MULHER

Acessar a internet já se tornou um hábito encrustado na sociedade moderna. Dezenas de redes sociais, aplicativos e sites são acessados diariamente, e na maioria das vezes, podem ser realizados de forma não-identificada, caso o internauta assim deseje.  Porém, o fácil acesso às redes sociais vem potencializando um problema recorrente da nossa sociedade: o assédio sexual a mulheres. Online, o assédio pode até não causar dor física, mas causa o mesmo constrangimento, intimidação e, em alguns casos, problemas psicológicos.

Segundo o instituto americano PewResearch Center que realiza pesquisas sociais, demográficas e de opinião pública em todo o mundo, cerca de 73% dos usuários de redes sociais já presenciaram alguma situação de assédio, e 40% alegaram já terem sido vítima desse comportamento.De acordo com os resultados, os homens estão mais suscetíveis a receberem ofensas virtuais, enquanto mulheres jovens são mais vulneráveis ao assédio e a perseguição virtual. As redes sociais são sim o ambiente preferido dos agressores, mas jogos online e seções de comentários em websites também são meios utilizados pelos agressores.

“Os assédios começaram quando coloquei solteira em meu status no Facebook”, observa a estudante de Administração, Juliana de 22 anos de idade. Ela continua: “Postei uma foto simples, só de rosto. A partir daí choveram comentários feitos por homens como gostosa, você é linda, quero te conhecer e manda seu whatsapp. Alguns deles, inclusive eram casados”.

Natália, estudante de dança de 19 anos também passou por uma situação semelhante ao postar uma foto de biquíni também pelo Facebook: “ Muitos homens vieram falar comigo, usando termos e expressões ofensivas e me chamando para sair. Eles viram a minha foto como um verdadeiro convite ao assédio e à falta de respeito. ”

Porém, o alvo dos assediadores não se resume somente a fotos de mulheres postadas em momentos de lazer. Mesmo em postagens relacionadas à vida profissional, as mulheres estão sujeitas a se deparar com o assédio sexual. Foi o que aconteceu com a professora e bailarina de dança do ventre Vanessa Soares ao postar uma foto do seu trabalho na rede: “A dança com cobra é uma das modalidades que trabalho. Postei uma foto deste tipo para ajudar na divulgação e tive uma surpresa totalmente desagradável. Homens de todos os tipos e jeitos apareceram no meu perfil e invadiram a minha janela de conversas com palavras de baixo calão e trocadilhos idiotas de duplo sentido; alguns nem da minha lista de amigos eram. No fim das contas, acabei cancelando a ação de divulgação, pois o assédio dos comentários prejudicou a foto e consequentemente, a minha imagem. ”

No Brasil, o crime de assédio virtual ainda não é tão denunciado pois encontra dificuldades para efetivar o processo de investigação e a sua punição; assim, a maioria das mulheres acaba lidando com os assédios de forma parecida: “Bloqueei e excluí os envolvidos, mas sempre aparecem homens novos”, diz Natália. “É preciso reconhecer as raízes do assédio. Enquanto tivermos uma sociedade machista e preconceituosa, estaremos sempre intimidadas e sujeitas a essas situações”, complementa Juliana.

Assim, levantar a voz contra o assédio sexual online não tem relação com moralismo: é uma questão de respeito para com a mulher. Enquanto mulheres se sentirem intimidadas para recusar um avanço sexual é sinal de que a cultura do estupro ainda está enraizada na mentalidade geral e que comportamentos potencialmente criminosos são cobertos pela sociedade. Assim, Vanessa dá o recado: “Não somos objetos dispostos as necessidades de homens, e sim, pessoas dotadas de inteligência, responsabilidades, vontades e escolhas. O respeito é a chave, deve sempre imperar em ambas as partes, e pra isso, é preciso que se reconheça o importante papel da mulher na sociedade”.

Bianca Carneiro – Bolsista do PETCOM

RESULTADO DA SELEÇÃO PETCOM 2017.1

março 30, 2017 in Eventos

No dia 30 de março de 2017, às 14 horas, na sala do Programa de Educação Tutorial da Faculdade de Comunicação (PETCOM) da UFBA, a banca integrada pelo Professor Fábio Sadao Nakagawa (Tutor do PETCOM), pelo Professor Arivaldo Sacramento de Souza (Tutor do Pet Letras), pelo prof. Leonardo Figueiredo Costa (Departamento de Comunicação) e pelos bolsistas do PETCOM, Vanessa Karen Jesus Vergne e Renato Meira dos Santos Filho, reuniu-se para proceder ao processo seletivo de dois bolsistas para o Programa de Educação Tutorial. A seleção constou de: a) atividade em grupo, b) avaliação do memorial e c) entrevista individual, nas quais o candidato deveria obter média final mínima de 7,0 (sete) para ser selecionado. Chegou-se ao seguinte resultado:

  1. Eduardo Bruno Oliveira Bastos
  2. Caroline Magalhães dos Santos
  3. Daniel Brito da Silva
  4. Vitória Croda Pinto

Os dois estudantes selecionados deverão assumir no dia 01 de maio de 2017. Os demais alunos aprovados poderão ser convocados, por ordem de classificação, à medida que surgirem vagas, dentro do prazo que se estende até o dia 30 de setembro de 2017. Os candidatos inscritos e selecionados para a entrevista, poderão consultar suas notas na ATA de seleção que estará disponível na sala do PETCOM.

CONVOCAÇÃO – ATIVIDADE EM GRUPO

março 24, 2017 in Eventos

O PETCOM convoca os candidatos listados abaixo para a atividade em grupo, etapa da seleção de bolsistas e voluntários. A atividade acontecerá na Sala 11 (FACOM), tendo início às 14h do dia 28/03 (terça-feira). Os candidatos são:
- Alana Victória Bittencourt Brasil
- Caroline Magalhães dos Santos
- Daniel Brito da Silva
- Eduardo Bruno Oliveira Bastos
- Giovanna Hemerly Gonçalves das Neves
- João Gabriel Veiga Araújo
- Laila Maria Nevy Farias
- Marcela Vilar Mota Santos
- Marcos Pascoal de Oliveira Cova
- Marina Bastos Fernandes
- Pedro Cordeiro do Nascimento
- Thídila de Monclayr Polete Calazans Salim da Silva
- Vitória Croda Pinto
Boa sorte!

SELEÇÃO PETCOM 2017.1

fevereiro 20, 2017 in Eventos

O PETCOM (Programa de Educação Tutorial da Facom/UFBA) torna pública a abertura de processo seletivo destinado ao preenchimento de 2 vagas para novos bolsistas e lista de espera. As inscrições deverão ser feitas entre os dias 21/02/2017 a 19/03/2017, exclusivamente pelo e-mail petfacomufba@gmail.com.
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Podem participar da seleção estudantes regularmente matriculados, de qualquer semestre, nos cursos de Comunicação com habilitação em Jornalismo  ou em Produção em Comunicação e Cultura da Faculdade de Comunicação da UFBA.
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Demais requisitos necessários para se candidatar e documentos necessários estão disponíveis em edital.
Os dois novos bolsistas selecionados iniciarão as atividades a partir de abril de 2017. A lista de espera vai até 30 de setembro de 2017.
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RESULTADO DA SELEÇÃO PETCOM 2016.2

dezembro 20, 2016 in Eventos

No dia 20 de dezembro de 2016, às 14 horas, na sala do Programa de Educação Tutorial da Faculdade de Comunicação (PETCOM) da UFBA, a banca integrada pelo Professor Fábio Sadao Nakagawa (tutor do PETCOM), pela Professora Mariângela Silva de Matos (tutora do Pet Odontologia), pela Professora Regina Lucia Gomes Souza e Silva, do Departamento de Comunicação e pelos bolsistas do PETCOM, Lara Carolina Miranda Silva e Maria Ludmila Santos Silva, reuniu-se para proceder ao processo seletivo de seis VOLUNTÁRIOS para o Programa de Educação Tutorial. A seleção constou de: a) atividade em grupo, b) avaliação do memorial e c) entrevista individual, nas quais o candidato deveria obter média final mínima de 7,0 (sete) para ser selecionado. Chegou-se ao seguinte resultado, por ordem de classificação:
1. Elias José da Silva Santana
2. Verena Almeida Guimarães
3. Bianca Moreira Silva Carneiro
4. Levy Teles dos Santos Gomes
5. Wallace Felipe Cardozo de Jesus
6. Daniel Aloisio dos Santos Silva
Os seis estudantes selecionados deverão assumir no dia 01 de janeiro de 2017. Somente no caso desse edital não haverá lista de espera. Os candidatos inscritos e selecionados para a entrevista, poderão consultar suas notas na ATA de seleção que estará disponível na sala do PETCOM.
Agradecemos a participação de todos.

SELECIONADOS PARA A OFICINA DE DIAGRAMAÇÃO 2016.2

dezembro 4, 2016 in Eventos

Está disponível a lista dos selecionados para a edição 2016.2 da Oficina de Diagramação do Petcom. Os participantes foram escolhidos por ordem de inscrição, com preferência para os calouros de jornalismo e produção cultural. A oficina acontecerá segunda e terça (5 e 6 de dezembro) na sala 2 das 14 ás 17h.

Lista em ordem alfabética:

Ana Maria de Araújo Alves
Beatriz Rosentina dos Santos Costa
Bianca Moreira Silva Carneiro
Camila Guimarães Seixas
Elias José da Silva Santana
Fernanda Santos Conceição
Fernando Iuri Ferreira Petitinga
Gabriel Moura Oliveira
Gabrielle Barbosa Medrado
Ian Francis de Melo Meneses
Ingrid Medina da Silva e Silva
João Gabriel Veiga Araújo
Marcela Vilar Mota Santos
Marcelo Ricardo dos Santos
Maria Paula Silva Marques
Maycon Meneses dos Santos
Raquel Souza Franco
Thídila de Monclayr Polete Calazans Salim da Silva
Virgínia Nunes Andrade

Oficina de Diagramação 2016.2

novembro 30, 2016 in Eventos

2016.2 finalmente chegou com força total, e está na hora da tradicional oficina de diagramação do PETCOM! Durante os dias 5 e 6 de dezembro vamos ensiná-los a usar o Illustrator e o InDesign. As aulas acontecerão das 14h às 17h na sala 2 da Facom, e calouros de jornalismo e produção cultural da Facom têm preferência.

Inscrições até 02/12 em: https://goo.gl/forms/E8eWk0gXWiVeDcQd2

SELEÇÃO PETCOM 2016.2

novembro 9, 2016 in Eventos

SELEÇÃO PETCOM 2016.2
O PETCOM (Programa de Educação Tutorial da Facom/UFBA) torna pública a abertura de processo seletivo destinado ao preenchimento de 6 vagas para novos voluntários. As inscrições deverão ser feitas entre os dias 09/11/2016 a 09/12/2016, exclusivamente pelo e-mail petfacomufba@gmail.com.
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Podem participar da seleção estudantes regularmente matriculados, de qualquer semestre, nos cursos de Comunicação com habilitação em Jornalismo  ou em Produção em Comunicação e Cultura da Faculdade de Comunicação da UFBA.
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Demais requisitos necessários para se candidatar e documentos necessários estão disponíveis em edital.
Os selecionados iniciarão as atividades a partir de janeiro de 2016. A lista de espera vai até 31 de julho de 2016
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Perdido na recepção

setembro 20, 2016 in Petcom, Textos

por Renato Meira

Depois de insistentes indicações de amigos e familiares, resolvi finalmente criar uma conta no site de streaming Netflix. Logo na página inicial, me deparei com a série Narcos (2015), trabalho mais recente do diretor brasileiro José Padilha. Narcos é uma série policial que acompanha a história real do agente anti-drogas americano Steve Murphy e da força tarefa na qual trabalhou na década de 1970 para combater o infame cartel de Medellin, liderado pelo traficante colombiano Pablo Escobar. Por mais interessante que seja a trama da série, o que realmente me chamou a atenção foi a semelhança em estilo entre Narcos e os restante da obra de José Padilha.

Mesmo que as narrativas policiais estejam presentes nos seus trabalhos mais proeminentes, a filmografia de Padilha não me permitiria dizer que ele é um cineasta limitado a esse cenário. Mas é óbvio que na sua obra o diretor busca continuamente incluir as mesmas questões políticas a respeito da desigualdade social, combate ao crime, e sobre o uso de violência pelas instituições do governo – a própria série Narcos dedica seus primeiros minutos a um panorama das ditaduras latino-americanas da década de 1970, mesmo que a ligação desse cenário político com o resto da trama seja meramente tangencial.

Sempre considerei os filmes da série Tropa de Elite (2007/2010) uma crítica à desigualdade social e, principalmente, aos efeitos do uso sistemático de violência pelo Estado – efeitos sobre aqueles que a aplicam, e sobre aqueles nos quais ela é aplicada. Porém, me surpreendi ao saber que na estréia de Tropa de Elite (2007), José Padilha recebeu vaias de  “fascista” – ato que se repetiu na apresentação do filme durante festival de Berlim (no qual o filme foi premiado com o Urso de Ouro em 2008).

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O filme foi entendido por parte da crítica como uma glorificação da violência policial que ele expunha. A tal ponto que em Tropa de Elite 2 (2010) Padilha parece ter achado necessário deixar claro no subtítulo do filme que “o inimigo agora é outro”. Quase como se dissesse: já que vocês não entenderam antes, nesse filme os antagonistas vão ser políticos corruptos e milicianos, para facilitar.

É, entretanto, completamente compreensível que ao assistir Narcos um espectador, vendo técnicas de tortura sendo infligidas por agentes estado como ferramentas eficientes de combate ao crime,  saia com a sensação de que as mentes criativas envolvidas no projeto aprovam tais práticas. O próprio filho do traficante Pablo Escobar disse, em entrevista à Folha de S. Paulo, que a naturalidade com a qual as cenas de tortura são mostradas, representa a validação da violência institucional pelo Netflix.

Não é incomum que filmes sejam criticados por  aparentemente advogarem a favor do oposto daquilo que era pretendido por seus criadores. O filme Starship Troopers (1997), dirigido por Paul Verhoeven, foi acusado de ser fascista e pró-militarista – quando na verdade é uma sátira à propaganda militarista, fascista, e armamentista. O mesmo aconteceu com Sucker Punch (2011), do Zack Snyder, considerado por muitos uma fantasia nerd que apelava para a sexualização das personagens femininas, ao mesmo tempo que tentava fingir ser uma ferramenta de empoderamento feminino. Quando entrevistas com o diretor deixam claro que Sucker Punch  é uma crítica direta à todos os filmes, games, quadrinhos, e objetos da cultura pop em geral que, apoiados na suposta força e protagonismo dados às suas personagens, exploram a imagem feminina para satisfazer o público masculino.

Dissecar os motivos desse fenômeno, ou explorar as nuances da recepção do público, vai além do escopo deste texto. A intenção aqui é mostrar que, baseado nesse histórico, é de se esperar que alguns espectadores pensem que José Padilha é a favor das táticas violentas utilizadas pelo capitão Nascimento em Tropa de Elite, ou pelo agente Murphy, em Narcos. Críticas sociais tendem a ser realmente mais difíceis de se traduzir para gêneros cinematográficos que não o documentário. Por isso acredito que é no seu primeiro filme, o documentário Ônibus 174 (2002),  que Padilha melhor define o discurso que pretende defender com sua obra.

Ônibus 174 acompanha a desastrosa ação policial no caso do sequestro de um ônibus no Rio de Janeiro, em junho de 2000, que resultou na morte do sequestrador e de uma das reféns. O filme questiona sobre quem seria culpado por tanta violência. Apesar disso, no documentário, Padilha não cria antagonistas no sequestrador nem nos policiais. Ao invés disso, resolve encerrar o filme com a seguinte fala de um dos entrevistados: “À polícia cabe o trabalho sujo que a sociedade não quer ver, mas que em algum lugar obscuro do seu espírito deseja que se realize”.

THE ARRIVAL E A ARTE DE SHAUN TAN

maio 23, 2016 in Textos

Imagens retiradas do próprio livro (por Shaun Tan)

Por: Vanessa Vergne

Aos amantes de quadrinhos, ilustração e artes visual, a obra do famoso ilustrador e autor australiano Shaun Tan: The Arrival, mostra-se bastante interessante.

O álbum conta a história de um imigrante que sai de sua cidade natal, deixando sua família para ir a um outro lugar. A história é bem clichê, quando se pensa em histórias que abarcam essa temática de imigração, no entanto, a forma como ela é conduzida pelo autor que impressiona.

O livro demorou cinco anos para ser feito, partindo de motivações pessoais de Shaun, e lembranças de parte da história de sua família. A narrativa tem um ritmo lento, e foi toda desenhada a mão, apenas com tons de cinza e sépia, o que dá uma impressão de coisas antigas, álbuns de fotografia.

Os aspectos gráficos são de impressionar, desde a construção dos personagens até fotos que sugerem movimentos. A ausência de traços ao redor das imagens, bem presentes em quadrinhos de heróis, dá um teor realista ao desenho. A concepção de todo o universo fantástico em que a história se passa, com criaturas estranhas, munidas de estéticas que dialogam com o grotesco. São lugares que ora lembram cidades comuns, ora remetem a cenários de filmes de ficção científica e Sci-fi.

A paleta de cor usada, é um recurso bem recorrente quando se trata de contar histórias que remetem a coisas antigas, memórias, e um pouco incomum quando se observa a trajetória das obras de Shaun, que tem uma forte ligação com a pintura e o recorrente uso de cores. A escolha da paleta cromática, além de ter casado muito bem com a temática e a atmosfera criada pela história, foi utilizada como uma estratégia de cortes de custos na produção do livro, já que ele seria produzido de forma independente pelo próprio autor.

A trajetória do personagem principal é contada sem nenhum tipo de fala, ou legenda, somente por imagens, com um ritmo de leitura lento, que exige um certo empenho contemplativo, de maior observação. Essa característica da narrativa, proporciona ao leitor uma ênfase no potencial de expressão do autor, muito conhecido por tentar transformar sensações e sentimentos em figuras.

A arte é muito sensível, e nos leva mesmo a entrar no universo da imigração, e das experiências materiais e sensoriais vividas por uma pessoa que sai de um lugar, rumo a um outro completamente desconhecido, deixando sua família para trás.

É possível fazer referência, a todo tempo, a momentos decisivos na formação de nações e grandes Estados ao redor do planeta, já que o fluxo migratório é um fato permanente na história do mundo. Quando há tragédias, fome, genocídios, guerras, haverá sempre pessoas que vão e vem, a procura de um lugar, de se encontrar, de um novo ideal, novas possibilidades, ou apenas para fugir. O mais importante mesmo nesse livro é mergulhar na narrativa e deixar as sensações fluírem através das imagens que são, realmente, incríveis.

“EU NÃO TOCO COM A MINHA VAGINA!”

maio 7, 2016 in Petcom, Textos

Riot Grrrl: feminismo, rock podreira e publicações independentes (Foto: Brad Sigal)

Por Paula Holanda

É quase consensual que os anos 70 foram o auge do punk. Afinal, trata-se da década de surgimento e explosão de ícones como Ramones e The Clash, simultaneamente à façanha dos Sex Pistols de conquistarem solos americanos (e incomodarem líderes britânicos) com um único álbum de estúdio, a análise não poderia ser diferente. Proporcionalmente à popularidade de uma subcultura que englobava mantras de rebelião, power chords agressivos e tendências de moda ditadas por Vivienne Westwood e Malcolm McLaren, as ideologias anarquistas e antifascistas cresciam de maneira abrupta. As práticas de estilo “faça-você-mesmo” (como a customização de camisas e a confecção de fanzines, por exemplo), essenciais ao desenvolvimento do mercado independente, firmavam-se cada vez mais entre seus seguidores.

Ao decorrer dos anos, “ser punk” já não mais se resumia apenas a escutar e acompanhar dezenas de bandas do gênero, muito menos a usar coturnos, moicanos coloridos e jaquetas cobertas com patches. Tratava-se de um modo de pensar e agir; tal qual uma filosofia de vida. Não se tratava apenas de odiar instituições como a família, a escola ou a igreja, mas também o capital, a hierarquia e o nazifascismo.

Em suma, o punk agrupava música boa, roupas maneiras e ideais progressistas. A princípio, parecia um movimento perfeito; mas ainda faltava um fator essencial: as mulheres. Sim, é de conhecimento geral que, na década de 70, Nancy era tema de conversação durante seu relacionamento com Sid; também é sabido que Joey compôs inúmeras canções dedicadas à Linda. No entanto, o espaço fornecido para mulheres ativas como compositoras e empresárias (e não apenas como parceiras sexuais ou musas inspiradoras), era escasso. Não havia protagonismo, muito menos igualdade. E não adianta citar Patti Smith ou Joan Jett como exemplos: uma indústria que dava destaque a três ou quatro intérpretes mulheres para cada centena de bandas formadas por homens não se tratava de uma indústria igualitária.

Illustração por Matt Groening para o episódio “Love, Springfieldian Style” (2008)

Novos protagonismos

Até o fim da década de 80, as raras vagas oferecidas para mulheres em bandas integradas por homens resumiam-se à posição de vocalista ou, no máximo, de guitarrista base, geralmente em subgêneros mais leves. A crença de que mulheres não sabiam solar ou tocar baixo e bateria (na época, considerados “instrumentos masculinos”) ainda era bastante popular. Foi na década de 90, com a ascensão do grunge, que a mudança desse contexto tornou-se mais aparente. Tornou-se visível o aumento da notabilidade de bandas com garotas ocupando um outro papel que não o de frontgirl, como Smashing Pumpkins, que contava com a baixista D’arcy Wretzky, e Sonic Youth, com Kim Gordon na guitarra e no baixo. Foi nesse período que uma grande transformação se deu em relação à presença das mulheres no meio underground, através do movimento Riot Grrrl (ou Riot Girl).

Como organização inclusiva, o Riot Grrrl (do inglês, “riot” = revolta; “girls” = garotas; e “grrr” = onomatopéia indicativa de ira) não teve líderes, mas costuma ter seu pioneirismo creditado à Allison Wolfe (Bratmobile), que nomeou o movimento, e Kathleen Hanna (Bikini Kill), que era considerada a porta-voz do mesmo. Teve seu início em 1991, quando grupos de mulheres de Washington, D.C. e Olympia, inspirados pelos recorrentes protestos antirracistas, decidiram se rebelar em reivindicação aos direitos femininos. Kathleen, juntamente com a baterista Tobi Vail, lançou “Bikini Kill”, um fanzine sobre política, punk rock local e pautas feministas.

Para impulsionar a divulgação da revista, a dupla formou uma banda de mesmo nome e chamou Kathi Wilcox para integrá-la como baixista. Em seus shows, as garotas ordenavam que os homens se direcionassem às fileiras do fundo e que as mulheres se aproximassem do palco para receberem fanzines e folhas com letras de música. Kathleen costumava se apresentar com o corpo riscado com palavras que incitavam violência contra a mulher, como “slut” (“vagabunda”) e “rape” (“estupro”). Pouco a pouco, as bandas de peso formadas por mulheres, além das composições e publicações independentes abordando e explicitando tabus como estupro, incesto e distúrbios alimentares multiplicaram-se, imersas em uma cultura inspirada pelas garotas do Bikini Kill.

Texto e colagem por Kathleen Hanna, originalmente publicado como manifesto para o segundo volume do zine “Bikini Kill” (1991)

O segundo volume do fanzine de Kathleen e Tobi continha um manifesto que abominava padrões de gênero e sexualidade, valorizava a expressão artística feminina e clamava que mulheres visavam criar, publicar e facilitar a divulgação de trabalhos destinados a outras mulheres. Em sua maioria, os textos e canções permaneceram no meio underground, visto que a grande mídia, na época, repudiava mulheres rebeldes e independentes. Protestos relativos a lesbianismo, racismo e gordofobia também eram comuns na corrente. No Brasil, tivemos representantes como Dominatrix, Pulso e Bulimia. O movimento foi de suma importância para a participação feminina na história da música, inspirou inúmeras artistas posteriormente e destilou a cultura do “faça-você-mesmo” no âmbito feminino. Afinal, era tudo independente: as bandas, as publicações e, principalmente, as mulheres.

Fotografia de Bikini Kill em Washington, D.C., por Brad Sigal (1991)