AGITA

TEXTO: EMILLY TIFANNY
FOTO: Maria Fernanda Paixão

Cerca de um quilômetro quadrado
Ecoou incontáveis quilômetros
Agitado por tiros
Direcionados para um alvo encurralado
Que agitava, eles pensaram

Mulher, negra, lésbica e favelada
Agita a confortável hegemonia
Na insônia de março
O sangue ativista foi derramado
A voz altiva foi silenciada

Se enganaram
Tem mais sangue ativista correndo nas veias
Sua voz semeia
E o silêncio nunca mais será o mesmo
A queda de uma impulsionou a luta de todas

O PETCOM VAI HOMENAGEAR MARIELLE FRANCO

O Petcom decidiu homenagear Marielle Franco, defensora dos Direitos Humanos e das minorias, covardemente assassinada no dia 14 de março de 2018. A placa com o nome da vereadora será inaugurada na Facom – UFBA. As placas, que carregam o endereço do local em que Marielle foi assassinada – bairro Estácio, no Rio de Janeiro-, se tornaram símbolo de protestos e são uma iniciativa do coletivo Chama, uma agência e rede de apoio a movimentos e causas sociais. O coletivo criou o site Rua Marielle Franco, que disponibiliza uma versão para download da placa e conecta interessados e gráficas parceiras do projeto. Segundo o site, mais de 18.000 placas já foram produzidas desde que tentaram destruir essa homenagem.

PETIANOS PARTICIPAM DO II INTERPET UFBA

Da esquerda para a direita, Sarah, Fernanda, Leonardo, Rayssa e Gabriel

O Petcom esteve presente no II INTERPET UFBA, que ocorreu no dia 1º de junho de 2019 no Auditório da Faculdade de Educação da UFBA (FACED). Leonardo Costa, tutor do Programa e os petianos Sarah Cardoso, Maria Fernanda Paixão, Rayssa Machado e Gabriel Caino representaram o grupo no evento.

O II INTERPET UFBA teve como tema “Visibilidade do PET na Comunidade Externa: Desafios e Propostas”. Nesse sentido, o objetivo do evento foi integrar os PETs da Universidade Federal da Bahia e discutir questões importantes para a manutenção e desenvolvimento do programa a fim de transpor os muros da universidade e atingir a comunidade externa à UFBA, refletindo sobre a identidade petiana e a coletividade.

Participantes do II INTERPET UFBA

SELEÇÃO PETCOM 2019.1

O Petcom (Programa de Educação Tutorial da Facom/UFBA) torna pública a abertura de processo seletivo destinado ao incorporamento de um(a) bolsista e três voluntários(as) ao programa. As inscrições deverão ser feitas entre os dias 01/04/2019 a 14/04/2019, exclusivamente pelo e-mail petfacomufba@gmail.com.

Podem participar da seleção estudantes de qualquer semestre regularmente matriculados nos cursos de Comunicação com habilitação em Jornalismo ou em Produção em Comunicação e Cultura da Faculdade de Comunicação da UFBA.

Demais requisitos e documentos necessários para se candidatar estão disponíveis em edital.

Acesse aqui o edital e a ficha de inscrição.

ESTIMAR-SE

FOTO E TEXTO: ANA CAROLINA FARIA

 

Estima significa sentimento de carinho ou de apreço em relação a alguém/algo ou admiração e respeito que se sente por alguém, advindos do reconhecimento do seu valor moral, profissional, etc.

Apesar de tudo, estime-se.

Apesar das cantadas desrespeitosas, apesar do medo de andar na rua, apesar das vezes que deixou de sair de casa, apesar das vezes que riram de você, apesar das injustiças contra você já cometidas, apesar dos julgamentos, apesar das vezes que te diminuíram, que duvidaram de você, que te humilharam, que te agrediram, que te abusaram.

Estime-se.

Não é MiMiMi, é discriMinação, é feMinicídio, é Misoginia. Não é chatice, é transição, é necessário.

Seguiremos unidas, estimando a nós mesmas e umas às outras.

E com a nossa estima mudaremos o mundo.

 

OFICINA DE FOTOGRAFIA

Alunos e alunas do Colégio Central em saída fotográfica no Passeio Público

Do dia 10 ao dia 13 de dezembro ocorreu mais uma edição da Oficina de Fotografia em Escolas Públicas. A atividade, ministrada pelos membros do Petcom, foi realizada com alunos e alunas do Colégio Central e teve como objetivo explorar o potencial dos dispositivos móveis para a fotografia.

Nos primeiro e segundo dias, os estudantes tiveram contato com a parte teórica da fotografia para, no terceiro dia, realizarem a saída fotográfica. No Passeio Público, cada um produziu fotos autorais que foram tiradas e editadas em seus próprios celulares. No quarto e último dia, a Facom recebeu os alunos para uma aula sobre InDesign na qual eles puderam produzir fanzines com as fotos tiradas no dia anterior. O material será impresso e entregue aos estudantes.

PETIANOS PARTICIPAM DO 13° EBAPET

Da esquerda para a direita, Emilly, Fernanda, Gabriel, Rayssa e Maria Fernanda

O Petcom esteve presente no 13º Encontro Baiano de Grupos PET (Ebapet), que ocorreu entre os dias 15 a 20 de novembro de 2018, na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Os petianos Gabriel Caino, Emilly Tifanny Santos, Fernanda Santos, Rayssa Machado e Maria Fernanda Paixão representaram o grupo nas discussões e deliberações do evento.

O Ebapet 2018 teve como tema “Ser PETian@”, escolhido, de acordo com a Comissão Organizadora do evento, por conta da necessidade de fortalecimento da identidade PETiana. O objetivo do Ebapet foi discutir sobre questões importantes para a manutenção e o desenvolvimento do programa, apresentar suas produções acadêmicas e colaborar com o meio social e seu crescimento através de reflexões sobre a coletividade. A Comissão Organizadora apresenta o encontro deste ano como um ato de resistência e reforça a importância da união entre os PETs.

RESULTADO DA SELEÇÃO 2018.2

No dia 21 de setembro de 2018, às 14 horas, na sala do Programa de Educação Tutorial – PET da Faculdade de Comunicação da UFBA, a banca integrada pelo Professor Leonardo Figueiredo Costa (tutor do Petcom), pelo Professor Tarcísio de Sá Cardoso, pelo Professor Arivaldo Sacramento de Souza (tutor do PET Letras), pelos bolsistas do Petcom, Maria Marta Lima dos Santos e Gabriel Caino Castilho Rodrigues, reuniu-se para proceder ao processo seletivo de bolsistas para o Programa de Educação Tutorial.

A seleção constou de: a) avaliação do memorial, b) dinâmica em grupo com atividade escrita e c) entrevista individual, nas quais o candidato deveria obter média final mínima de 7,0 (sete) para ser selecionado. Chegou-se ao seguinte resultado:

Selecionados:
1º Ravel Santos Lima
2º Sarah Cardoso Nogueira
3º Maria Fernanda Paixão Martins da Silva
4º Ana Carolina Faria Pedreira de Cerqueira
5º Catarina Carvalho Ramos Navarro Motta
6º Igor Carvalho Santos
7º Emilly Tifanny Santos

SELEÇÃO PETCOM 2018.2

O PETCOM (Programa de Educação Tutorial da Facom/UFBA) torna pública a abertura de processo seletivo destinado ao incorporamento de voluntários ao programa. As inscrições deverão ser feitas entre os dias 27/08/2018 a 09/09/2018, exclusivamente pelo e-mail petfacomufba@gmail.com.

Podem participar da seleção estudantes de qualquer semestre regularmente matriculados nos cursos de Comunicação com habilitação em Jornalismo ou em Produção em Comunicação e Cultura da Faculdade de Comunicação da UFBA.

Demais requisitos necessários para se candidatar e documentos necessários estão disponíveis em edital.

Os seis voluntários selecionados iniciarão as atividades a partir do dia 24 de setembro de 2018. Os selecionados serão incorporados ao programa como bolsistas à medida em que forem surgindo vagas por conta do desligamento dos atuais bolsistas.

LINK:

EDITAL E FICHA DE SELEÇÃO Continuar lendo “SELEÇÃO PETCOM 2018.2”

Perdido na recepção

por Renato Meira

Depois de insistentes indicações de amigos e familiares, resolvi finalmente criar uma conta no site de streaming Netflix. Logo na página inicial, me deparei com a série Narcos (2015), trabalho mais recente do diretor brasileiro José Padilha. Narcos é uma série policial que acompanha a história real do agente anti-drogas americano Steve Murphy e da força tarefa na qual trabalhou na década de 1970 para combater o infame cartel de Medellin, liderado pelo traficante colombiano Pablo Escobar. Por mais interessante que seja a trama da série, o que realmente me chamou a atenção foi a semelhança em estilo entre Narcos e os restante da obra de José Padilha.

Mesmo que as narrativas policiais estejam presentes nos seus trabalhos mais proeminentes, a filmografia de Padilha não me permitiria dizer que ele é um cineasta limitado a esse cenário. Mas é óbvio que na sua obra o diretor busca continuamente incluir as mesmas questões políticas a respeito da desigualdade social, combate ao crime, e sobre o uso de violência pelas instituições do governo – a própria série Narcos dedica seus primeiros minutos a um panorama das ditaduras latino-americanas da década de 1970, mesmo que a ligação desse cenário político com o resto da trama seja meramente tangencial.

Sempre considerei os filmes da série Tropa de Elite (2007/2010) uma crítica à desigualdade social e, principalmente, aos efeitos do uso sistemático de violência pelo Estado – efeitos sobre aqueles que a aplicam, e sobre aqueles nos quais ela é aplicada. Porém, me surpreendi ao saber que na estréia de Tropa de Elite (2007), José Padilha recebeu vaias de  “fascista” – ato que se repetiu na apresentação do filme durante festival de Berlim (no qual o filme foi premiado com o Urso de Ouro em 2008).

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O filme foi entendido por parte da crítica como uma glorificação da violência policial que ele expunha. A tal ponto que em Tropa de Elite 2 (2010) Padilha parece ter achado necessário deixar claro no subtítulo do filme que “o inimigo agora é outro”. Quase como se dissesse: já que vocês não entenderam antes, nesse filme os antagonistas vão ser políticos corruptos e milicianos, para facilitar.

É, entretanto, completamente compreensível que ao assistir Narcos um espectador, vendo técnicas de tortura sendo infligidas por agentes estado como ferramentas eficientes de combate ao crime,  saia com a sensação de que as mentes criativas envolvidas no projeto aprovam tais práticas. O próprio filho do traficante Pablo Escobar disse, em entrevista à Folha de S. Paulo, que a naturalidade com a qual as cenas de tortura são mostradas, representa a validação da violência institucional pelo Netflix.

Não é incomum que filmes sejam criticados por  aparentemente advogarem a favor do oposto daquilo que era pretendido por seus criadores. O filme Starship Troopers (1997), dirigido por Paul Verhoeven, foi acusado de ser fascista e pró-militarista – quando na verdade é uma sátira à propaganda militarista, fascista, e armamentista. O mesmo aconteceu com Sucker Punch (2011), do Zack Snyder, considerado por muitos uma fantasia nerd que apelava para a sexualização das personagens femininas, ao mesmo tempo que tentava fingir ser uma ferramenta de empoderamento feminino. Quando entrevistas com o diretor deixam claro que Sucker Punch  é uma crítica direta à todos os filmes, games, quadrinhos, e objetos da cultura pop em geral que, apoiados na suposta força e protagonismo dados às suas personagens, exploram a imagem feminina para satisfazer o público masculino.

Dissecar os motivos desse fenômeno, ou explorar as nuances da recepção do público, vai além do escopo deste texto. A intenção aqui é mostrar que, baseado nesse histórico, é de se esperar que alguns espectadores pensem que José Padilha é a favor das táticas violentas utilizadas pelo capitão Nascimento em Tropa de Elite, ou pelo agente Murphy, em Narcos. Críticas sociais tendem a ser realmente mais difíceis de se traduzir para gêneros cinematográficos que não o documentário. Por isso acredito que é no seu primeiro filme, o documentário Ônibus 174 (2002),  que Padilha melhor define o discurso que pretende defender com sua obra.

Ônibus 174 acompanha a desastrosa ação policial no caso do sequestro de um ônibus no Rio de Janeiro, em junho de 2000, que resultou na morte do sequestrador e de uma das reféns. O filme questiona sobre quem seria culpado por tanta violência. Apesar disso, no documentário, Padilha não cria antagonistas no sequestrador nem nos policiais. Ao invés disso, resolve encerrar o filme com a seguinte fala de um dos entrevistados: “À polícia cabe o trabalho sujo que a sociedade não quer ver, mas que em algum lugar obscuro do seu espírito deseja que se realize”.

“EU NÃO TOCO COM A MINHA VAGINA!”

Riot Grrrl: feminismo, rock podreira e publicações independentes (Foto: Brad Sigal)

Por Paula Holanda

É quase consensual que os anos 70 foram o auge do punk. Afinal, trata-se da década de surgimento e explosão de ícones como Ramones e The Clash, simultaneamente à façanha dos Sex Pistols de conquistarem solos americanos (e incomodarem líderes britânicos) com um único álbum de estúdio, a análise não poderia ser diferente. Proporcionalmente à popularidade de uma subcultura que englobava mantras de rebelião, power chords agressivos e tendências de moda ditadas por Vivienne Westwood e Malcolm McLaren, as ideologias anarquistas e antifascistas cresciam de maneira abrupta. As práticas de estilo “faça-você-mesmo” (como a customização de camisas e a confecção de fanzines, por exemplo), essenciais ao desenvolvimento do mercado independente, firmavam-se cada vez mais entre seus seguidores.

Ao decorrer dos anos, “ser punk” já não mais se resumia apenas a escutar e acompanhar dezenas de bandas do gênero, muito menos a usar coturnos, moicanos coloridos e jaquetas cobertas com patches. Tratava-se de um modo de pensar e agir; tal qual uma filosofia de vida. Não se tratava apenas de odiar instituições como a família, a escola ou a igreja, mas também o capital, a hierarquia e o nazifascismo.

Em suma, o punk agrupava música boa, roupas maneiras e ideais progressistas. A princípio, parecia um movimento perfeito; mas ainda faltava um fator essencial: as mulheres. Sim, é de conhecimento geral que, na década de 70, Nancy era tema de conversação durante seu relacionamento com Sid; também é sabido que Joey compôs inúmeras canções dedicadas à Linda. No entanto, o espaço fornecido para mulheres ativas como compositoras e empresárias (e não apenas como parceiras sexuais ou musas inspiradoras), era escasso. Não havia protagonismo, muito menos igualdade. E não adianta citar Patti Smith ou Joan Jett como exemplos: uma indústria que dava destaque a três ou quatro intérpretes mulheres para cada centena de bandas formadas por homens não se tratava de uma indústria igualitária.

Illustração por Matt Groening para o episódio “Love, Springfieldian Style” (2008)

Novos protagonismos

Até o fim da década de 80, as raras vagas oferecidas para mulheres em bandas integradas por homens resumiam-se à posição de vocalista ou, no máximo, de guitarrista base, geralmente em subgêneros mais leves. A crença de que mulheres não sabiam solar ou tocar baixo e bateria (na época, considerados “instrumentos masculinos”) ainda era bastante popular. Foi na década de 90, com a ascensão do grunge, que a mudança desse contexto tornou-se mais aparente. Tornou-se visível o aumento da notabilidade de bandas com garotas ocupando um outro papel que não o de frontgirl, como Smashing Pumpkins, que contava com a baixista D’arcy Wretzky, e Sonic Youth, com Kim Gordon na guitarra e no baixo. Foi nesse período que uma grande transformação se deu em relação à presença das mulheres no meio underground, através do movimento Riot Grrrl (ou Riot Girl).

Como organização inclusiva, o Riot Grrrl (do inglês, “riot” = revolta; “girls” = garotas; e “grrr” = onomatopéia indicativa de ira) não teve líderes, mas costuma ter seu pioneirismo creditado à Allison Wolfe (Bratmobile), que nomeou o movimento, e Kathleen Hanna (Bikini Kill), que era considerada a porta-voz do mesmo. Teve seu início em 1991, quando grupos de mulheres de Washington, D.C. e Olympia, inspirados pelos recorrentes protestos antirracistas, decidiram se rebelar em reivindicação aos direitos femininos. Kathleen, juntamente com a baterista Tobi Vail, lançou “Bikini Kill”, um fanzine sobre política, punk rock local e pautas feministas.

Para impulsionar a divulgação da revista, a dupla formou uma banda de mesmo nome e chamou Kathi Wilcox para integrá-la como baixista. Em seus shows, as garotas ordenavam que os homens se direcionassem às fileiras do fundo e que as mulheres se aproximassem do palco para receberem fanzines e folhas com letras de música. Kathleen costumava se apresentar com o corpo riscado com palavras que incitavam violência contra a mulher, como “slut” (“vagabunda”) e “rape” (“estupro”). Pouco a pouco, as bandas de peso formadas por mulheres, além das composições e publicações independentes abordando e explicitando tabus como estupro, incesto e distúrbios alimentares multiplicaram-se, imersas em uma cultura inspirada pelas garotas do Bikini Kill.

Texto e colagem por Kathleen Hanna, originalmente publicado como manifesto para o segundo volume do zine “Bikini Kill” (1991)

O segundo volume do fanzine de Kathleen e Tobi continha um manifesto que abominava padrões de gênero e sexualidade, valorizava a expressão artística feminina e clamava que mulheres visavam criar, publicar e facilitar a divulgação de trabalhos destinados a outras mulheres. Em sua maioria, os textos e canções permaneceram no meio underground, visto que a grande mídia, na época, repudiava mulheres rebeldes e independentes. Protestos relativos a lesbianismo, racismo e gordofobia também eram comuns na corrente. No Brasil, tivemos representantes como Dominatrix, Pulso e Bulimia. O movimento foi de suma importância para a participação feminina na história da música, inspirou inúmeras artistas posteriormente e destilou a cultura do “faça-você-mesmo” no âmbito feminino. Afinal, era tudo independente: as bandas, as publicações e, principalmente, as mulheres.

Fotografia de Bikini Kill em Washington, D.C., por Brad Sigal (1991)