Glam Rock no Brasil
Danilo Fraga



Importando, traduzindo e misturando o Glam Rock com o folclore e a literatura nacional, os Secos e Molhados foram um dos grupos mais festejados na história do Rock nacional. As performances de Ney Matogrosso com trajes de índio, rebolados ao estilo Carmem Miranda e vocais agudos renderam à banda sucesso de crítica e público. Seu primeiro e clássico disco bateu Roberto Carlos em vendagens, com mais de um milhão de cópias vendidas, e arrastou multidões enlouquecidas aos shows pelo país. Um desses shows, assistido por mais de 25 mil pessoas no Maracanãnzinho, foi transmitido via televisão para todo o país – um fato marcante para a mídia brasileira já que essa foi a primeira vez que isso acontecia.
Enquanto os Mutantes, ou o que restava deles, se entregavam cada vez mais ao LSD e ao Rock Progressivo se tornando cada vez mais antiquados e esquecidos, Rita Lee parecia estar mais atenta às novas tendências do Rock. Em seu grupo Tutti Frutti usava e abusava do visual baseado em cabelinhos escorridos, botas de cano alto e bocas rebocadas de batom. Outro grupo que entrou na moda foi o Casa das Máquinas. Apesar de depois ter tocado Rock Progressivo, seu primeiro disco tinha o som e visual do Glam Rock. O Made In Brazil, que em um primeiro momento teve muita influência do Blues e Rock´n Roll tradicional, também andou por aí se pintando, especialmente no disco ‘Jack, o estripador’, lançado em 1976. Mais tarde a banda se voltou para o Hard Rock, mas seu vocalista e fundador, Cornelius Lúcifer, levou adiante o namoro com o glam em seu único disco solo.
Os maiores, e menos conhecidos, representantes do Glam no Brasil são Eddy Star, ex-parceiro de Raul Seixas e Sérgio Sampaio e Serguei. Eddy Star se apresentava com um visual escrachado e um repertório variado, que incluía Haroldo Barbosa, música inédita de Roberto Carlos (‘Claustrofobia’) e Lupicínio Rodrigues, ele surgiu e desapareceu tão rapidamente quanto o glam rock no país. Seu único disco, lançado em 1975, continua inédito em cd. Já Serguei continua tocando, talvez tocando seja um exagero, até hoje e teve como ponto alto de sua carreira um apresentação no Rock´n Rio II. Recentemente Serguei se tornou pansexual, ampliando assim seu horizonte artístico.